Explicação dos dados da Global Forest Watch sobre a perda de cobertura arbórea de 2025

Novos dados sobre a perda de cobertura arbórea do WRI e do laboratório GLAD da Universidade de Maryland (UMD), disponíveis na Global Forest Watch (GFW), mostram que a perda de floresta tropical primária úmida diminuiu em 2025, embora o progresso tenha sido desigual nos trópicos. Como essas descobertas se comparam a outras estimativas de desmatamento? Aqui está o que você precisa saber sobre os novos dados.
O que a perda de cobertura arbórea mede?
Para comparar as descobertas dos dados de perda de cobertura arbórea com outras estimativas, é importante entender o que os dados de perda de cobertura arbórea medem e como isso difere de outros sistemas de monitoramento.
Os dados de perda de cobertura arbórea da UMD capturam distúrbios de cobertura arbórea, definida como vegetação lenhosa com pelo menos cinco metros de altura, com resolução de 30 metros em escala global para os anos-calendário de 2001 a 2025. Isso inclui mortalidade ou remoção de árvores em florestas naturais primárias e secundárias, bem como em florestas plantadas ou plantações de culturas arbóreas. Além do monitoramento global, nos trópicos, usamos dados de florestas tropicais primárias úmidas como parâmetro de referência para analisar a perda apenas dentro da floresta tropical natural madura, excluindo plantações, culturas arbóreas e florestas secundárias jovens. Leia mais sobre o motivo. A perda de cobertura pode ser devido a causas humanas ou naturais, permanente ou temporária. Leia mais sobre os dados de perda de cobertura arbórea, incluindo como eles melhoraram ao longo do tempo, no Global Forest Review.
O que os dados de perda de cobertura arbórea por incêndios incluem e o que há de novo este ano?
Os dados UMD também incluem perda de cobertura arbórea devido a incêndios, o que distingue a perda direta de cobertura do dossel arbóreo causada por incêndio de todas as outras perdas de cobertura arbórea. Leia mais sobre a abrangência dos dados. Esses dados nos permitem entender melhor como os incêndios contribuíram para a perda de cobertura arbórea.
Este ano, os dados mostram que as perdas de florestas tropicais primárias causadas por incêndios diminuíram 50% em 2025 em comparação com 2024, que teve incêndios recordes nos trópicos, particularmente na América Latina. A perda causada por incêndios em 2025 inclui alguns dos incêndios do final de 2024 (por exemplo, aqueles que ocorrem de novembro a dezembro) que são frequentemente detectados no ano seguinte devido à fumaça que bloqueia as observações de satélite e atrasa a detecção de perda de cobertura arbórea. Saiba mais sobre nossas descobertas dos dados de 2025 aqui.
Como a perda de cobertura arbórea é diferente do desmatamento e o que isso significa na comparação com outros sistemas de monitoramento?
O desmatamento normalmente se refere a uma mudança de longo prazo, causada pela ação humana, de floresta para outro uso da terra. A perda de cobertura arbórea, conforme definida nos dados da UMD, inclui tanto a perda amplamente considerada como desmatamento, como a conversão de uma floresta natural em terra agrícola, como a perda que geralmente não é considerada desmatamento, como a exploração madeireira em florestas plantadas ou distúrbios naturais. Leia mais sobre as diferenças.
Embora a perda de cobertura arbórea não meça diretamente o desmatamento, em alguns casos usamos um indicador para o desmatamento, como no Deforestation and Restoration Targets Tracker na Global Forest Review, em que usamos dados sobre vetores de perda de cobertura arbórea para estimar quanto da perda é duradoura e causada pelo ser humano.
É importante considerar as diferenças entre a definição de perda usada pelos dados da UMD e a definição usada por outros conjuntos de dados ao comparar a perda de cobertura arbórea com a mudança florestal relatada por outros tipos de sistemas de monitoramento. Outras diferenças comuns entre conjuntos de dados podem incluir parâmetros de referência de monitoramento florestal, áreas mínimas medidas, períodos de relatório e métodos. Saiba mais sobre essas diferenças.
Por exemplo, os dados de perda de cobertura arbórea são produzidos usando imagens de satélite e, portanto, monitoram mudanças biofísicas que podem ser discernidas nessas imagens. Isso pode diferir das definições oficiais dos países de “floresta” e “mudança florestal”, que muitas vezes incorporam critérios biofísicos e de uso da terra. Por exemplo, a definição da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), que às vezes é usada nas definições dos países, não apenas estabelece limites mínimos para a altura, cobertura de dossel e extensão de árvores, mas também exige que a terra seja oficial ou legalmente designada para um “uso florestal”, como conservação ou colheita, o que não é diretamente observável em imagens de satélite. Leia mais sobre as diferenças entre dados da FAO e da GFW.
Abaixo, veja como nossas estimativas de perda de cobertura arbórea se comparam a várias outras estimativas para 2025.
Como a perda de cobertura arbórea dos dados da GFW se compara a outras estimativas?
Brazil – PRODES
Os dados do PRODES, o sistema oficial de monitoramento de florestas para a Amazônia do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) do Brasil, e os dados da UMD têm diferenças em suas definições e metodologias que são importantes de entender ao compará-los. O PRODES mede o desmatamento de corte raso maiores que 6,25 hectares (ha), enquanto a UMD captura qualquer tipo de perda, tanto natural quanto causada pelo homem, maior que 0,09 ha de todas as árvores com mais de cinco metros de altura. Essas duas medidas são importantes e nos ajudam a entender como as florestas estão mudando, pois o desmatamento, as queimadas e os pequenos distúrbios no dossel florestal podem causar impactos no clima, na biodiversidade e nos serviços de ecossistema.
Outra diferença importante é que os dois conjuntos de dados abrangem períodos de observação diferentes. Enquanto o PRODES inclui os 12 meses entre agosto e julho de cada ano (o último ano de observação é de agosto de 2024 a julho de 2025), os dados da UMD incluem o ano civil (janeiro a dezembro de 2025).
Além disso, o INPE possui sistemas que monitoram e informam especificamente sobre incêndios (dentro e fora das florestas). Por exemplo, o Programa Queimadas do INPE monitora incêndios ativos e áreas queimadas. Os alertas DETER do INPE, que rastreiam o desmatamento e a degradação diariamente, separam os alertas relacionados a incêndios florestais de outras formas de degradação e do desmatamento.
Para comparar os dois conjuntos de dados, tomamos algumas medidas para levar em conta essas diferenças. Primeiro, separamos o fogo da perda de floresta primária sem incêndio nos dados da UMD, já que o PRODES não inclui o tipo de perda causada por incêndio capturada pelos dados da UMD. Ambos os sistemas de monitoramento mostram uma queda entre 2024 e 2025 na Amazônia brasileira, uma redução de 41% na perda de floresta primária sem incêndio nos dados da UMD e um declínio de 12% no desmatamento no PRODES.
Em segundo lugar, para levar em conta a unidade mínima de mapeamento de 6,25 ha usada pelo PRODES, aplicamos uma unidade mínima de 6,25 ha à perda anual de florestas primárias não relacionada a incêndios da UMD para separar as áreas de perda em áreas menores que 6,25 ha e maiores ou iguais a 6,25 ha. Ao considerar o tamanho dos fragmentos, as perdas de floresta primária sem incêndio da UMD maiores ou iguais a 6,25 ha diminuíram 39%, e os fragmentos de perda de floresta primária sem incêndio menores que 6,25 ha diminuíram 43%.
Brazil – MapBiomas
O MapBiomas Brasil é uma rede colaborativa de ONGs, universidades e startups de tecnologia que desenvolvem mapas anuais de cobertura e uso da terra, além de diversos produtos mensais de monitoramento e alerta. Desde 2019, a rede publica relatórios anuais sobre o desmatamento no país por meio de uma iniciativa chamada MapBiomas Alerta. Os dados são produzidos através da combinação de dados de alerta de desmatamento provenientes de diversos sistemas de monitoramento independentes (por exemplo, SAD) e oficiais (por exemplo, DETER e PRODES), sendo posteriormente validados e refinados por meio de interpretação visual com imagens de satélite de alta resolução.
Os dados do MapBiomas Alerta e da UMD têm diferenças importantes nas definições e metodologias que afetam a medição da perda florestal no Brasil. Os dados do MapBiomas concentram-se apenas na remoção completa da vegetação nativa (incluindo florestas, savanas e pastagens) e excluem perdas por incêndio, extração seletiva de madeira, agricultura itinerante e outras formas de distúrbio parcial; enquanto os dados da UMD incluem todos os tipos de perda de cobertura arbórea maior que 0,09 ha, independentemente do fator causador, incluindo eventos naturais e de causa humana, e detectam perdas completas e parciais em que pelo menos metade da cobertura do dossel dentro de um pixel de 30 m foi removida. Além disso, a UMD usa um algoritmo totalmente automatizado para detectar alterações, enquanto a MapBiomas verifica visualmente e refina alertas de vários sistemas que usam diferentes métodos de detecção.
Para considerar essas diferenças antes de comparar os dois conjuntos de dados, usamos um limite de densidade do dossel de 10% como parâmetro de referência para calcular a perda de cobertura arbórea, em vez do limite de 30% que normalmente usamos para a maioria dos países em nossa análise, para contabilizar as perdas nos ecossistemas esparsamente arborizados do Brasil, que estão incluídos nos dados da MapBiomas. Usamos as classes de vegetação natural no mapa de cobertura da terra MapBiomas Brasil 2018 (coleção 10) como parâmetro de referência para a análise. Também separamos, nos dados da UMD, as perdas por incêndio das perdas não relacionadas a incêndios, pois, assim como o PRODES, o MapBiomas Alerta não inclui o tipo de perda causada por fogo capturada pelos dados da UMD.
A perda não relacionada a incêndios da UMD mostra tendências semelhantes aos dados do MapBiomas Alerta de 2019 a 2025. A MapBiomas Alerta mostrou uma queda de 30% no desmatamento entre 2024 e 2025, semelhante ao declínio de 25% na perda não relacionada a incêndios na UMD. Embora os dados da UMD mostrem uma maior quantidade geral de perda não relacionada a incêndios durante o período, isso provavelmente se deve à inclusão de exploração seletiva de madeira, agricultura itinerante e outros tipos de perdas (incluindo perda parcial) não incluídos no MapBiomas Alerta.
Colômbia – SMByC
O Sistema de Monitoramento Florestal e de Carbono (SMByC) da Colômbia, o sistema oficial de monitoramento florestal liderado pelo Instituto de Hidrologia, Meteorologia e Estudos Ambientais (IDEAM), produz estatísticas anuais oficiais de desmatamento, normalmente lançadas em julho de cada ano, bem como boletins trimestrais que fornecem informações sobre a detecção precoce do desmatamento, com foco particular na Amazônia colombiana. O SMByC monitora mudanças em florestas naturais, que incluem florestas primárias e secundárias, mas exclui florestas plantadas e árvores plantadas para produção agrícola, e define desmatamento como qualquer tipo de conversão de florestas para outras coberturas do solo. As estatísticas oficiais anuais de desmatamento são produzidas usando algoritmos para detectar mudanças com imagens de satélite, que são então avaliadas visualmente e refinadas por meio de várias etapas de controle de qualidade.
Embora as estatísticas oficiais de desmatamento de 2025 ainda não tenham sido divulgadas pela IDEAM, o SMByC divulgou estimativas iniciais de desmatamento de 2025 para os departamentos na Amazônia com base no sistema de detecção precoce de desmatamento. Essas estimativas iniciais relatam 72.000 hectares de desmatamento na Amazônia, um pouco maior do que a perda de floresta primária da UMD nessas regiões (68.000 ha). No entanto, essas estimativas podem ser revisadas assim que as estatísticas oficiais de desmatamento forem divulgadas no final deste ano. Em geral, a perda de floresta primária da UMD e as estatísticas oficiais anuais de desmatamento do SMByC mostram tendências e áreas semelhantes de perda de floresta na Amazônia nos últimos anos. Diferenças nos dois conjuntos de dados para certos anos podem ser devidas a diferenças no momento da detecção de eventos de perda no final de estação entre os dois sistemas, bem como a diferenças nos métodos, como os algoritmos usados para detectar mudanças e o parâmetro de referência de florestas naturais do SMByC.
Indonésia – SIMONTANA
Os dados oficiais de desmatamento fornecidos pelo Ministério das Florestas da Indonésia por meio do Sistema Nacional de Monitoramento Florestal (SIMONTANA) ainda não foram publicados para 2025, mas as informações sobre esse sistema de monitoramento e como ele se compara aos dados da UMD podem ser encontradas aqui.
Indonésia – Auriga Nusantara
A Auriga Nusantara é uma organização ambiental sem fins lucrativos da Indonésia que monitora as mudanças na cobertura florestal do país e coordena a iniciativa MapBiomas. A organização monitora e relata a perda de cobertura florestal natural, que inclui florestas primárias e secundárias, mas exclui plantações de madeira e florestas plantadas.
Os dados são produzidos identificando primeiro a suspeita de perda florestal usando alertas de desmatamento da UMD dentro da extensão de cobertura florestal natural da MapBiomas, criando áreas de delimitação maiores em torno dos alertas e executando um modelo de deep learning usando imagens de satélite Sentinel-2 de 10 m dentro das áreas de delimitação para detectar a extensão da perda florestal. A inspeção visual de áreas maiores que 1 ha é realizada para verificar se ocorreu perda florestal e para remover erros. Os dados incluem perda florestal superior a 0,25 hectares.
Desde 2025, a Auriga implementou novos métodos de monitoramento florestal que capturam melhor os distúrbios florestais anuais. Além disso, a Auriga usa um parâmetro de referência floresta natural em sua análise, que é atualizada todos os anos para capturar florestas primárias e florestas secundárias em regeneração. Para analisar melhor a diferença nos parâmetros de referência, tomamos medidas adicionais antes de comparar os conjuntos de dados. Usamos as classes de vegetação de floresta natural no mapa de cobertura terrestre da MapBiomas Indonesia 2022 (coleção 3) como parâmetro de referência e incluímos toda a perda de cobertura arbórea (sem nenhum limite de densidade do dossel aplicado) para capturar a perda potencial em florestas secundárias em regeneração. Também aplicamos uma unidade mínima de mapeamento de 0,25 ha aos dados de perda de cobertura arbórea da UMD. Por fim, usamos os dados de floresta primária tropical úmida da UMD para separar a floresta primária da floresta secundária dentro da extensão de floresta natural da MapBiomas.
Dentro de toda a floresta natural (tanto primária quanto secundária), a perda de cobertura arbórea total da UMD para 2025 (considerando a unidade mínima de mapeamento de 0,25 ha) foi de 410.000 ha, o que é semelhante à quantidade de perda florestal relatada pela Auriga (434.000 ha). O aumento entre 2024 e 2025 foi de 17% para florestas primárias e 20% para florestas secundárias.
Incluir florestas secundárias e considerar a unidade mínima de mapeamento de 0,25 ha mostra um alinhamento mais próximo entre os dois conjuntos de dados. Outras diferenças nos resultados provavelmente se devem às atualizações da metodologia da Auriga Nusantara, ao uso de um parâmetro de referência atualizado anualmente e a outras diferenças nos métodos, que incluem diferentes imagens de satélite de entrada e resolução espacial.
Floresta Tropical Úmida do JRC
Os dados de Floresta Tropical Úmida (Tropical Moist Forest, TMF) do Joint Research Center (JRC) da Comissão Europeia monitora as mudanças florestais nos trópicos. Assim como os dados de perda de cobertura arbórea da UMD, os dados de JRC TMF usam imagens Landsat para mapear distúrbios florestais anualmente na escala de pixels de 30 metros. No entanto, há algumas diferenças importantes entre os conjuntos de dados. Leia nossa comparação detalhada aqui.
Em geral, os dados de JRC TMF detectam uma área maior de distúrbios do que os dados de perda de florestas primárias tropicais da UMD porque sua classificação de degradação inclui distúrbios que não atendem à definição de perda usada nos dados da UMD, como o desmatamento de menos da metade da cobertura de árvores em um pixel de 30 metros ou distúrbios detectados em um período muito curto.
Os dados de TMF do JRC e os dados de perda de florestas primárias tropicais da UMD mostram tendências semelhantes nos últimos anos, e ambos os conjuntos de dados mostram uma queda nos distúrbios entre 2024 e 2025: Os dados de TMF do JRC mostram uma queda de 45% nos distúrbios nos trópicos, semelhante à queda de 36% na perda de floresta primária da UMD. Após remover a perda de floresta primária tropical da UMD causada por incêndios, já que incêndios são classificados como degradação florestal nos dados de TMF do JRC, a estimativa de perda de floresta primária sem incêndio da UMD em 2025 foi muito semelhante à estimativa total de desmatamento de TMF do JRC, ambas de aproximadamente 2,7 milhões de hectares. No entanto, é importante observar que a distinção entre os dados de degradação e de desmatamento de 2024 de TMF do JRC ainda não está totalmente consolidada porque o tempo decorrido é insuficiente para confirmar a recuperação da floresta pós-distúrbio ou a permanência do distúrbio.
Esses sistemas de monitoramento fornecem informações complementares que, ao compreender as definições, o escopo e os métodos de cada sistema e avaliá-los juntos, podem oferecer uma visão holística e detalhada de como as florestas estão mudando.
Leia nossa análise completa dos dados de perda de cobertura arbórea de 2025 no Global Forest Review.

